Frustração

Maria Antónia Espadinha*

 

Um dos aspectos atraentes de Macau é a importância que o Governo atribui à Cultura. Insuficiente para alguns, pois há questões em que o ser humano é insaciável e nada é suficiente para a sua avidez de cultura. Dão-nos vinte bons programas, mas falta sempre mais um. Oferecem-nos a oportunidade de assistir a um concerto da Filarmónica de Viena? Queríamos também a de Berlim, mais a de Filadélfia. E por aí fora…

Por mim, fico feliz e agradecida por poder escolher, de entre uma oferta cheia de verdadeiras tentações, alguns programas excelentes …. com pena de não poder assistir a todos. Falo, obviamente, dos Festivais, em especial do Festival Internacional de Música, que agora começou.

Dou voz à minha frustração e à de muitas outras pessoas que apenas conseguiram (se conseguiram) um ou dois bilhetes milagrosamente escapados ao frenesim das vendas de primeira hora. Já fiz “bicha” durante as primeiras horas do dia para conseguir comprar os bilhetes desejados, madrugadas divertidas e (quase) sem barreiras de língua apesar da mistura de gentes que se juntava à porta da agência de espectáculos, na Taipa, lembrando as madrugadas à porta do S. Carlos, outras, ainda mais longínquas para entrar no Coliseu, sempre “à cunha”, outras por sítios e teatros mais conhecidos ou mais famosos. Valeu sempre a pena. Este ano foi diferente.

Saí de Macau por uns dias, a 6 de Agosto. No dia anterior à partida tinha procurado saber alguma coisa sobre o festival. Na agência ainda não havia programas, nem qualquer indicação sobre as datas de venda. Duas semanas mais tarde (estive privada de internet por uns dias) parecia mentira, mas já pouco restava de lugares aceitáveis, ou não restava nada. Muitos espectáculos tinham já a informação de “esgotado”, as listas de espera estavam a abarrotar, “O Ouro do Reno” ficou-se pela quimera, muitos outros programas tiveram idêntica sorte… Paciência! Para o ano haverá mais… do mesmo. Haverá outras ofertas para quem puder e quiser… passar o mês de Agosto à espera… ou para quem consiga obter os bilhetes através de uma qualquer organização açambarcadora, para turistas cultos ou curiosos que tiveram a sorte de arranjar um “pacote” que inclui espectáculo, para gentes de Hong Kong que fazem fins de semana musicais a baixo custo.

Não lhes guardo ressentimento, a esses felizardos que conseguiram os bilhetes que eu não consegui. Desejo-lhes a fruição de bons concertos, de bons espectáculos.

Mas desejo também, em abono dos interesses das gentes de Macau, que haja uma divulgação mais atempada do programa e que nos dêem oportunidade de ainda conseguir uns bilhetinhos… Desculpem o desabafo. Mas é mesmo uma frustração!

 

* Professora Emérita da Universidade de Macau

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