Salgadinhos eleitorais

Inês Santinhos Gonçalves

Numa altura em que os candidatos a deputados procuram formas de se distinguirem uns dos outros, deixo uma sugestão de slogan para o líder da comunidade de Fujian: “A ideologia não põe comida na mesa, mas Chan Meng Kam sim”.

Com o custo de vida a subir desta maneira, não há convicção política que resista. Isso do sufrágio universal é muito bonito, o ambiente também, os tribunais nem se fala, mas a carne subiu 18,4 por cento desde o início do ano – e contra factos não há argumentos.

Chan Meng Kam sabe que nisto das campanhas é preciso ser-se ‘pão, pão; queijo, queijo’ – tenho mais uma data de expressões idiomáticas gastronómicas na manga mas prometo moderação. O que interessa é dizer às pessoas que estamos aqui para o que elas realmente precisam: de pagar as contas e animar o espírito.

É por isso que Chan aposta nos supermercados e tem um clube de fãs (com merchandising variado) que dá descontos. E como a monotonia não é característica deste candidato, em plena época de campanha surge uma inovação que encerra em si uma perfeita metáfora: batatas fritas Chan Meng Kam.

São baratas, práticas, enchem a barriga e são apetitosas. Toda a gente gosta de batatas fritas. O facto de fazerem mal à saúde é um pormenor que só preocupa os neuróticos do excesso de zelo.

Não sei se Chan Meng Kam pretende alargar a gama de produtos, mas gostava muito de ver gomas coloridas com a cara dos membros da lista, gelados com o número 13 e, se não for pedir muito, cervejinhas com os caracteres da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau, acompanhadas de pequenas embalagens de cajus – apenas 13 cada e sem sal, que com o colesterol não se brinca.

Mas que não se pense que Chan Meng Kam é apenas um homem pragmático. Apesar de raramente (nunca?) se manifestar sobre questões ideológicas ou defender outras causas que não as ligadas ao custo de vida ou obras públicas, o deputado faz questão de mostrar que tem profundidade. No pacote de batatas fritas quatro caracteres saltam à vista: “Homem de ferro” (a verde) e “coração mole” (a cor-de-rosa). Se não estivesse tão ocupado com as eleições, diria que temos aqui um sério candidato a galã de novela.

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