Recomeços

Inês Santinhos Gonçalves

O Verão, como o idealizámos na infância, está a acabar. Agosto, esse mês querido dos filmes e da imaginação, aproxima-se do fim e com ele regressam as aulas, acaba-se a silly season, os tribunais voltam ao activo, o Governo (remodelado ou não) põe prego a fundo e a Assembleia renova-se, mais democrata, menos democrata.

Podemos optar pela nostalgia das férias (já o estamos a fazer, não estamos?), mas neste recomeço de ano a meio do ano, opto por lembrar às almas suspirantes deste território que não há mal num pouco de optimismo.

No sábado começa oficialmente a campanha eleitoral. A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa deixa de ter desculpa para ser incongruente: o debate de ideias e o apelo ao voto, com toda a parafernália à disposição, passa a ser autorizado e já não é preciso assobiar para o lado. Pode ser, até, que agora a comissão tenha finalmente mão dura naquilo que devia ter, na descarada compra de votos que alguns candidatos têm levado a cabo.

Se o processo está inquinado e o sistema torto de base? Sim. Mas o voto, por cá, não abunda. O poder de escolha popular, esse que tantas vezes nos dizem que não queremos e para o qual não estamos preparados, está aqui à porta. Podemos eleger o primeiro deputado assumidamente gay. O único deputado com menos de 30 anos na Assembleia Legislativa. Não é coisa pouca para 13 anos de RAEM.

É verdade que não temos uma palavra a dizer sobre aquilo que realmente conta, o Governo. Mas podemos optar por eleger deputados que exerçam pressão em prol dos valores que defendemos.

Ao mesmo tempo, recomeça hoje o julgamento do quarto caso conexo ao de Ao Man Long. Grande parte das testemunhas já foram ouvidas e espera-se que o caso não se prolongue por muito mais tempo. Apesar de serem oito os arguidos, apenas dois têm estado presentes nas sessões – algumas ausências foram justificadas mas parte dos arguidos encontra-se em parte incerta. O caso é mediático, advogados e arguidos têm um perfil elevado em Macau e Hong Kong, e espera-se que colectivo presidido por Mário Silvestre consiga abstrair-se do ruído e centrar-se no essencial.

A rentré está aí e ainda bem. O ano deixou arrastar consigo assuntos de importância maior que agora resolveremos. Não há certezas de sucesso, mas é sempre bom recomeçar.

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