The Candy Man

Michael Grimes

 

Quem serão os banqueiros informais na China? Quando tudo corre bem, toda a gente quer ter um amigo destes. Para citar uma letra de Sammy Davis Jr, são os “Candy Man” – aqueles que ajudam os donos das fábricas, mas também os pequenos e médios empresários, garantindo-lhes empréstimos negados pelos bancos estatais, ainda presos à rigidez dos métodos burocráticos e com uma tradicional falta de apetite por projectos que impliquem algum risco.

O banqueiro informal é também aquele que ajuda a transferir dinheiro – suportados por bens imobiliários do outro lado da fronteira – para as salas VIP em Macau, sob a forma de crédito aos jogadores.

Mas quando tudo corre mal, esse é também aquele a quem se entrega a liberdade, ou até mesmo a própria vida. No dia 12 de Julho, o empresário Zeng Chengjie foi executado por um pelotão de fuzilamento, na província de Hunan, por ter ilegalmente contraído empréstimos no valor de 3,4 mil milhões de yuans (4,4 mil milhões de patacas), apesar da família ter garantido que o valor dos seus activos era superior ao montante das dívidas em causa.

O termo “banca clandestina” é muito vago quando se aplica ao mercado chinês, pois abrange uma ampla gama de actividades paralelas de concessão de crédito. Conforme explica um livro recente de Joe Zhang – em tempos um banqueiro tradicional em Hong Kong – muitas instituições da banca informal são na realidade licenciadas e supervisionadas por entidades oficiais na China Continental.

O que acontece é que a burocracia tende a impor regras que favorecem os grandes bancos estatais, limitando os montantes dos empréstimos individuais permitidos à banca paralela. E há também o hábito de reprimir mais rapidamente os empréstimos informais sempre que o Governo central decide travar a expansão do crédito.

Seria também útil aos observadores internacionais, quando se referem à “banca clandestina” e salas de jogo geridas por junkets em Macau, que se recordassem como Las Vegas se transformou na capital do jogo na década de 70. Wall Street não tocaria na ‘Sin City’ nem com um longa bengala com a ponta de prata. Então, onde foram alguns empresários angariar o capital com o qual construíram os casinos? Ao International Brotherhood of Teamsters (sindicato dos camionistas); nessa altura, como agora, um dos maiores sindicatos dos Estados Unidos.

É do conhecimento público que os seus principais dirigentes tinham então ligações com algumas famílias da máfia norte-americana. “Quando a Máfia Geriu Las Vegas”, livro de Steven Fischer, explica que, 1976, Allan Glick – proprietário do casino Stardust – foi apresentado ao chefe da máfia de Milwaukee, Frank Balistieri, como sendo um potencial financiador para o project. O encontro foi mediado por Del Coleman, na época o representante em Las Vegas do sindicato dos camionistas e da máfia de Chicago.

Foram precisos pelo menos 15 anos de uma acção concertada entre as autoridades federais e as do estado do Nevada para conseguir retirar à máfia o controlo dos casinos de Las Vegas. Não é por isso de estranhar que alguém condenado por associação criminosa como Wan Kuok Koi saia da prisão e queira gerir uma sala junket. Talvez seja melhor dar um passo atrás e verificar como o jogo está a evoluir em Macau, em vez de nos concentrarmos em casos individuais.

O presidente da Associação de Fabricantes de Máquinas e Equipamentos de Jogo em Macau, Jay Chun, afirmou na semana passada ao Business Daily que os junkets “não são a máfia” em Macau. A forma como a cidade lidará com o desejo anunciado por Wan Kuok Koi será um teste interessante a essa afirmação.

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