Um bem maior

Pedro Galinha

Em Macau, a corrupção tem dois rostos: o condenado Ao Man Long e um monstro azulado, que ataca as Ruínas de São Paulo.

Se no caso do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas não é preciso dar grandes pormenores, porque a Justiça tem estado encarregue disso, no segundo convém explicar que a tal figura mais ou menos hedionda faz parte de uma campanha publicitária do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), com tempo de antena no canal português da TDM.

Este exemplo não é caso único. Há outras acções de divulgação com a assinatura de serviços públicos, emitidas antes do bloco noticioso das 20h30. Falam da água que pinga dos sistemas de ar condicionado, do lixo e dos dejectos dos cãezinhos que não podem ser deixados na via pública ou da credibilidade que uma empresa deve ter.

Nesta espécie de aula de educação cívica também deveriam caber algumas noções sobre participação política, ainda mais quando estamos a dois meses das eleições legislativas de 15 de Setembro. No entanto, é certo que uma simples acção de divulgação na televisão saberia sempre a pouco.

Caso seja assumido claramente o objectivo do sufrágio universal – que considero ser o passo mais natural que Macau terá de dar no futuro –, esta questão assume uma importância maior. Primeiro, porque tem sido apontada a falta de preparação dos residentes para embarcar neste barco. Logo, a aposta da Administração terá de passar pela educação, à maneira de Thomas Jefferson (1743-1826), que a considerava como o princípio fundamental à manutenção da liberdade dos indivíduos.

A escola é um local de conhecimento, mas pode ser muito mais. Se pensarmos bem, deveria ser um instrumento ao serviço da cidadania. E cidadania quer dizer participação.

Em pequeno não pensava que a resolução dos problemas que afectavam a minha rua, a minha escola e a minha freguesia passaria por mim. Mas, hoje, olho para as coisas de forma diferente porque a supervisão da gestão pública é um dever e um direito dos cidadãos.

Com ou sem sufrágio universal em Macau, a aposta numa educação que premeie o espírito crítico e a participação deve ser uma realidade e só terá um resultado: a criação de uma sociedade sólida, cujos pilares têm por base eu, você e os demais.

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