Cooperação empobrecida

Pedro Galinha

De que valem os acordos de cooperação regional com o Continente quando o Governo de Macau não está a par da construção de instalações nucleares junto ao rio Oeste, em Guangdong? A resposta parece ser simples e, no limite, poderia resumir-se à palavra “nada”.

Lia-se ontem na imprensa local que a cerca de 90 quilómetros de Macau será erigida uma infra-estrutura para enriquecimento de urânio, o combustível necessário à produção de energia atómica. As obras devem arrancar ainda este ano, na zona de Heshan, e a conclusão está prevista para 2025.

Estes planos, supostamente, fugiram à rede de contactos oficiais de Macau, que, “até ao momento, não tem qualquer tipo de informações”. No entanto, o Gabinete de Porta-Voz do Governo garantiu, na segunda-feira, que “já foi endereçado um pedido” às autoridades da província de Guangdong “por forma a conhecer melhor os detalhes do referido projecto”.

A empresa responsável pela construção das futuras instalações nucleares, a Nuclear Power Industry Park de Heshan, afirmou ao Yangcheng Evening News que está a ser desenvolvido um estudo de avaliação de risco. Além disto, em declarações reproduzidas pela mesma publicação, alegou que a central de produção de combustível nuclear será mais segura que as demais, já que não comporta ricos de explosões ou fugas.

As poucas respostas conhecidas não satisfazem Ng Kuok Cheong, que entregou uma interpelação ao Governo. Em causa está a “ameaça de poluição nuclear” que o projecto do Continente poderá acarretar, ainda para mais quando, este fim-de-semana, ficou a saber-se de um incidente de contaminação com metais pesados no rio Hejiang, um dos afluentes do rio Oeste, que abastece Macau.

É por isto que o deputado quer que o Executivo de Macau tome uma posição e inclua as questões de segurança nuclear nas discussões relativas à implementação do Acordo-Quadro de Cooperação Macau-Guangdong. Um pedido mais do que legítimo e que será entendido como um sinal claro de que a cooperação regional para Macau não faz parte apenas da retórica política e excede a organização de encontros oficiais, reuniões de trabalho ou conferências entre os dois lados.

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