Diversificação com acento em português

Pedro Galinha

Não é uma ideia nova, tampouco peregrina, mas Melinda Chan voltou a defender que o Governo deve incentivar os jovens a aprenderem português, através da promoção dos benefícios económicos da língua.

Talvez Macau desconheça as potencialidades, mas não é caso único. Em Portugal, só muito recentemente foi publicado em livro um estudo sobre o valor do português.

A obra resulta de uma pesquisa elaborada por uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), a pedido do agora denominado Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Sob o título “Potencial Económico da Língua Portuguesa”, o livro estima em 17 por cento o peso da língua no PIB português, a partir de um método criado por Martin Municio, que também foi aplicado a Espanha (a língua espanhola representa 15 por cento do PIB do país).

Percebe-se que o domínio do português – espalhado em quatro continentes – potencia oportunidades de negócios e a estratégia de internacionalização da China para o mundo lusófono tem subjacente, precisamente, a aprendizagem da língua de Camões.

Nos últimos anos, foi possível observar um “boom” na oferta de cursos nas universidades da China Continental e, em Macau, também “tem havido um aumento gradual na procura de quadros qualificados de português”, salientou à Lusa o coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior de Macau, Sou Chio Fai.

No meio de tudo, qual poderá ser o papel de Portugal e de Macau? No primeiro caso, seria inteligente que Lisboa partisse do interesse económico da língua, ainda mais num período de grave crise financeira que o país atravessa.

Colocar em andamento uma política de formação de quadros para exportar e a produção de materiais didácticos para diferentes fins é um passo, que poderá ser acompanhado de investimentos no ensino à distância.

Portugal poderia ainda oferecer cursos de ensino da língua adequados aos diversos fins – políticos, económicos e culturais – e diferentes públicos.

Em Macau, o português tem um papel marcadamente institucional, mas também poderia jogar com o potencial económico, caso houvesse a aposta numa espécie de centro da lusofonia, na Ásia, como já sugeriu a académica da Universidade de Coimbra Carmen Amado Mendes.

Ensino, investigação ou no campo da tradução literária e científica, o território poderia afirmar-se como a verdadeira plataforma entre a China e os países lusófonos, ou seja, indo muito além da retórica a que nos habituámos a ouvir.

Além disto, poderia receber empresários e diplomatas das nações que se exprimem em português para contactarem com a cultura e a língua chinesa.

Há condições, mas falta vontade (ou engenho?) do Governo local, que tem sugerido a necessidade de diversificar a economia local, sem efectivar grandes medidas ou colher resultados.

 

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One thought on “Diversificação com acento em português

  1. Jovem em estágio, há uns anos já says:

    “o ensino à distância.”??? oh jovem… isso foi o que sempre houve. é preciso é PRESENÇA!!!!!!!!!!!!!! (claro que há a “chatice” de ter de pagar salários, direito a férias…)

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