Vitória da inteligência e humildade

 

Pedro Galinha

 

Inteligência e humildade. É assim que pode ser descrita a forma como o Monte Carlo trilhou o caminho rumo ao título de campeão da Liga de Elite (49 pontos), deixando para trás o poderoso Benfica de Macau (48 pontos).

Mesmo que Tam Iao San não tenha liderado a equipa mais espectacular do campeonato (talvez esse rótulo assente melhor às “águias”), conseguiu obter a proeza de misturar valores locais com uma mão cheia de estrangeiros e conquistar o primeiro lugar que escapava aos “canarinhos” desde 2008. Além disto, foi um exemplo de seriedade dentro e fora das quatro linhas.

Ciente de algumas limitações dos seus jogadores, o treinador – que há cinco anos também tinha sido o responsável pelo triunfo do Monte Carlo no principal escalão do futebol de Macau – montou um plantel que fez da organização e disciplina defensiva um dos pilares do sucesso. Neste capítulo, o nome de Paulo Martins salta à vista.

O defesa-central brasileiro, que teve em Lei Ka Him o companheiro ideal, talvez tenha sido um dos jogadores mais regulares da competição e, aos 21 anos, deverá embarcar em breve numa nova aventura, desta feita em Timor-Leste. Para memória, fica o poderio físico e a inteligência com que se antecipava aos adversários.

No meio-campo, Tam Iao San contou um conjunto de jogadores que sabem pensar e armar o jogo, como Paulo Cheang. O regresso de Geofredo Cheung, que após recuperar de lesão cumpriu a recta final da época, deu ainda mais consistência à estratégia do Monte Carlo.

Quanto às manobras ofensivas, o emblema dirigido por Firmino Mendonça dispôs de uma “troika” com muito samba e técnica no pé. Daniel Santana, Denílson e Rafael Medeiros foram os homens obrigados a imprimir velocidade ao jogo “canarinho”. Depois, ainda sobrava o talento local de Leong Ka Hang, que valeu vários golos.

Neste xadrez, há outras peças importantes como o veterano guarda-redes Domingos Chan – um poço de experiência e segurança – ou a magia do médio do Continente Tou Chi Keong. Na linhas laterais, tanto à direita como à esquerda, o lateral Chan Man foi sempre um “trunfo” capaz de baralhar as defensivas adversárias.

A edição 2013 da Liga de Elite também fica marcada pelas exibições do Benfica de Macau, que parece cada vez mais próximo do grande objectivo (o campeonato, entenda-se). O investimento para esta temporada, ainda que não tenha sido revelado publicamente, foi forte e, por isso, Bruno Álvares deve ter ficado com um sabor amargo. O mesmo aconteceu com o Ka I, que partiu para este ano com o estatuto de tricampeão.

Os dois clubes ainda podem salvar a época com a conquista da Taça de Macau (sexta-feira, 19h30, Estádio de Macau). Mas será sempre pouco.

Em relação aos emblemas que desceram de divisão, não houve grandes surpresas. O Kei Lun foi quase sempre uma presa fácil, tal qual os Sub-23, que não somaram qualquer ponto. Facto que convida a Associação de Futebol de Macau a repensar este modelo de formação de jogadores locais, que obriga jovens a competirem com homens feitos, num confronto demasiado desigual.

Advertisements
Standard

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s